Quarta-feira, Julho 12, 2006

 

Cine-Teatro Rosa Damasceno

"Associação exige recuperação do Cine-Teatro Rosa Damasceno
Uma Associação de defesa do património de Santarém ameaça mover uma acção judicial para exigir que a Câmara Municipal recupere o histórico cine-teatro Rosa Damasceno, cuja fachada está em risco de ruína.
(...)
Perante a falta de oferta de espaços semelhantes, a AEDPHCS reclama que o edifício se mantenha como teatro, recordando que qualquer uso diferente do imóvel terá de ter autorização da autarquia de Santarém.
Esta tomada de posição da AEDPHCS conta com o apoio da associação Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana (OPRURB) que, em comunicado, se associa à iniciativa.
"Inutilizar património, de modo irresponsável e gratuito, em nome de pretensos valores de progresso ou outros", significa "rasgar o retrato dos avós, renegá-los e ficarmos sem nome próprio", nota a OPRURB, que justifica assim o apoio à acção judicial."

Publicado no Mirante

Descrição do edifício

"A construção original deste teatro -actualmente desaparecida- realizou-se entre 1870 e 1876 segundo traço do arquitecto José Luís Monteiro. Neste edifício, é de destacar a procura de formulários estétícos embuídos de um ecletismo análogo ao Teatro Ginásio de Lisboa, alusão que é sublinhada pela denominação escolhida - Rosa Damasceno- uma grande actriz que fazia furor nos palcos lisboetas da época. Com o evoluir da técnica cinematográfica e o consequente advento do som, em 1938 o teatro sofre uma profunda remodelação que é levada a cargo pelo arquitecto Amilcar Pinto, tendo este sido o responsável pela actual feição Art Deco, presente na geometrização linear da decoração da fachada do edifício. Esta opção estilística , está bem impressa no diálogo arquitectónico entre a verticalidade estrutural das linhas e os módulos de vidro que definem a geometrização global do espaço, concretizada nos cinco janelões que rasgam a fachada. O resultado global traduz-se numa arrojada espacialidade que não encontramos no análogo Eden Teatro (CUSTÓDIO, 1996, p. 218). Todavia, com o projecto de Amilcar Pinto, uma inspiração modernista colhida nos parâmetros estéticos e funcionais emanados por Charles Rennie Mackintosh e defendidos por Walter Gropius, está patente no programa decorativo que aglutina e uniformiza o interior do edíficio com o mobiliário. Aliás, em toda a concepção do projecto transparece uma modernidade tecnológica que se impõe pela tónica colocada na relação espéctaculo-espectador, notória na procura de uma iluminação detalhada, proporcionada pelo uso de vidro opalino que melhor direcciona a luz proveniente das lâmpadas de néon. "Este modelo funcionalista de salas despojadas e desornamentadas, onde a decoração era progressivamente substituída pela criteriosa iluminação e acústica e pelo arrojo das soluções de engenharia, estendeu-se até à província , como sucedeu no teatro Rosa Damasceno em Santarém, riscado pelo arquitecto Amílcar Pinto e inaugurado em 1938 (...)" (SANTOS, 1997, p. 472) . Esta procura de uma linearidade de formas que também se querem monumentais, transparece na marcação ritmíca, sugerindo um pulsar ondulante, patente na decoração do interior dos camarotes e alguns frisos, tendência que é corrobada pela modelação linear dos estuques. "

Descrição retirada do site do IPPAR


Comments:
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